Unidades educacionais da Irmandade Betânia oferecem educação froebeliana

03/06/2018

 

Quando se diz educação, o que vem à sua mente? Talvez aquela imagem de uma sala grande com várias carteiras e alunos sentados anotando o conteúdo escrito no quadro negro. Ou então, a turma em silêncio enquanto o educador explica a matéria, passa os exercícios e todos fazem, ou levam para casa para resolver.

 

A verdade é que, boa parte da população brasileira foi educada nesse sistema tradicional de ensino, mas que pouco trabalha na criatividade e no desenvolvimento próprio da criança. A Escola Aldeia Betânia, uma das unidades educacionais da Irmandade Betânia, se destaca por ser uma das primeiras escolas de Curitiba a usar um método diferente de ensino aos seus alunos e incentivar seu lado criativo e pessoal.

 

É o método de Friedrich Froebel, pedagogo alemão e fundador da educação infantil, que enfatizava o aprendizado da criança por meio da brincadeira, do contato com a natureza e do desenvolvimento próprio, respeitando seu tempo e suas limitações. Froebel dizia que as crianças aprendem com o brincar, explorando e com as vivências, pois desde pequenas já oferecem grande potencial educativo de aprender e de ensinar.

 

(...) “Deixemo-nos aprender com as nossas crianças, deixemo-nos dar atenção a suas gentis vidas, à demanda silenciosa de suas mentes. Deixemo-nos viver com nossas crianças: a vida de nossas crianças nos trará paz e alegria, começaremos, então, a crescer sabiamente, para nos tornarmos sábios”. (FROEBEL,2002,p.126).

 

A coordenadora da educação Infantil da Escola Aldeia Betânia, Daiane Cunha, comenta que o Froebel via as crianças como pequenas flores no jardim que deveriam ser regadas e cuidadas, mas que elas deveriam também ter a liberdade de usar seu potencial brincando e se divertindo com o meio a qual estão inseridas. “O método de Froebel foi inovador na época, pois o  professor tinha o papel fundamental não só de desenvolver os conteúdos, mas também desenvolver todas as potencialidades das crianças. E ele faria isso brincando, contando histórias, pela música, explorando assim o ambiente que eles tivessem, afirma Daiane.

 

Para entender melhor como funciona o método, é importante saber que Froebel valorizava o aprendizado dinâmico das crianças, também as brincadeiras e acreditava no processo de descobrimento que cada uma tem. Portanto, ele incentivava que os educadores fizessem projetos e oferecessem aos alunos de diferentes maneiras, sempre buscando a criatividade e inovação.

 

Na Escola Aldeia Betânia, segundo Daiane, todos os educadores fazem um projeto especial para abordarem ao longo do semestre, mas sabem que haverá mudanças e o ritmo das matérias deverão seguir o ritmo do aprendizado das crianças. “Preparamos o conteúdo e começamos aplicá-lo por meio de brincadeiras, músicas, atividades de colagem, sempre buscando incentivar a criatividade de cada aluno. Utilizamos objetos do dia a dia das crianças para elas absorverem. Por exemplo, nós não fazemos desenhos para elas pintarem ou preencherem, mas as deixamos fazerem seus próprios desenhos e assim, aprenderem a respeito de dimensão e tamanhos”, explica.

 

Educação Froebeliana na Europa e em Curitiba

 

Pelo fato de Froebel ter nascido e aplicado seus conhecimentos na Alemanha, a influência de seu método no país é grande. Não só no país germânico que seu pensamento ganhou força, mas em outros países nórdicos também como Dinamarca, Noruega, Holanda e Finlândia.

 

Em 1952 foi criado na Dinamarca a Waldkindergarten que em português seria, jardim da Infância na floresta. A proposta dessas escolas é oferecer às crianças um contato maior com a natureza, permitindo a elas que entrem em contato com o meio ambiente, desenvolvam suas habilidades em meio a natureza, brinquem e, principalmente, aprendam brincando. O método deu tão certo que ele foi exportado para a Alemanha em 1968 e hoje existem mais de 700 Waldkindergarten espalhados por todo o país.

 

 Mas como que esse ensino ganhou destaque na Escola Aldeia Betânia? Pois bem, em 1945 o Movimento Diaconia composto por mulheres alemãs que estavam dispostas a servir a comunidade e levar transformação social, criou uma base aqui em Curitiba. Um dos setores em que mais investiram foi na educação e, consequentemente, o método popular na Alemanha e que possuía valores condizentes a proposta das diaconisas foi aplicado nas unidades de educação fundadas por elas aqui em Curitiba.

 

Dessa forma, a Escola Aldeia Betânia e depois o Centro de Educação e Inclusão Social Betânia  (CEISB) se tornaram as primeiras escolas que aplicaram esse sistema de ensino na capital dos paranaenses. “É um sistema que exige uma atenção especial dos professores e um trabalho muito mais integrado com os alunos, mas os resultados são muito bons para os alunos a longo prazo,” confirma a coordenadora de educação Daiane.

 

A coordenadora dos Projetos Sociais da Irmandade Evangélica Betânia, Denise Lau viajou para Alemanha por um período de um mês para conhecer mais da aplicação do método froebeliano nas escolas alemãs e conta que a filosofia de ensino no país é forte e mesmo em pleno século XXI ela se mantém atual e necessária, mesmo em um mundo dominado pela tecnologia e velocidade. “Esse método como um todo foca na formação pessoal do indivíduo, diferente do sistema educacional brasileiro que forma pessoas para o trabalho”, relata Denise.

 

Recepção dos pais

Por conta dessas características no método de ensino, muitos pais procuram a Escola Aldeia Betânia justamente para que seus filhos possam aprender no tempo deles e de uma maneira leve e descontraída. É o que afirma a psicóloga Mauren Neufeld, mãe da aluna de seis anos, Sarah Neufeld. “Na educação tradicional que eu tive e que na maioria das escolas é aplicada, não há um respeito pelo tempo da criança. E como psicóloga eu vejo que isso gera várias consequências para o equilíbrio psicológico das crianças”, afirma.

 

Mauren conta que várias vezes quis adiantar o processo de aprendizado da sua filha, e que teve que se policiar e aprender a respeitar o tempo da criança. “É uma tendência global que tudo seja rápido e que dê resultados também rápidos. Mas não devemos pensar assim em relação às nossas crianças, devemos ao contrário, respeitar seu tempo e incentivar sua criatividade. Tenho feito isso com minha Sarah e vejo que ela amadureceu em várias áreas além da educação formal. Ela se tornou menos tímida, menos insegura, mais sociável e isso é muito bom”, comemora.

 

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