Família, uma aliada na inclusão escolar

03/05/2018

Pedro Luceno tinha dois anos quando pronunciou as primeiras palavras. No entanto, elas foram em inglês. Inicialmente, seus pais acharam incrível, mas ao colocarem o filho na escola, viram que ele tinha um comportamento diferente das outras crianças. Ele era repetitivo em suas atitudes, sua socialização com os colegas de sala era quase impossível, estava à frente dos colegas na leitura, mas muito aquém na área da comunicação oral e interação.

 

Foi quando sua mãe, Viviane Luceno, recebeu o diagnóstico. Pedro é portador da Síndrome de Asperger, um Transtorno do Espectro Autista (TEA). “Eu lembro que quando recebi a notícia era um dia chuvoso, e ficou mais escuro com a notícia. O médico veio até mim e disse que todas as características do meu filho diziam que ele era um autista”, conta a mãe. Desde aquele dia, Viviane tem se dedicado a cuidar integralmente do seu filho e auxiliá-lo no seu desenvolvimento. Uma das atitudes tomadas pela família, foi matricular Pedro na Escola Aldeia Betânia, que em Curitiba, é uma das referências na inclusão de alunos.

 

De diferentes formas, essa história se repete todos os dias em vários lares por todo o país, segundo um estudo feito pelo CDC (Center of Deseases Controland Prevention - EUA), que revela que uma criança a cada 100 nasce com o TEA. Ao analisar o contexto nacional, a Associação Brasileira de Autismo, em publicação de 2013, aponta para cerca de 60 mil autistas no país.

 

No entanto, a postura da família frente às mudanças deve ser precisa e atuante, pois seja em qual for a situação, os pais e irmãos são os que mais podem ajudar a criança com necessidade especial. O caso de Viviane Luceno é um exemplo de como a família pode ajudar a criança e facilitar sua interação social. “Nós cometemos erros, afinal estávamos aprendendo a lidar com toda a novidade, mas sempre estivemos muito ligados ao Pedro”, lembra.

 

 Para a orientadora educacional da Escola Aldeia Betânia, Fernanda Malheiros, a educação inclusiva é um desafio, mas a partir do momento que a família aceita que seu filho(a) tem algum tipo de necessidade, facilita muito o passo para a inclusão. “A participação da família é essencial. Quando uma criança é bem aceita dentro de casa sua própria interação com os colegas de sala e no ambiente escolar se torna muito mais fácil”, explica Fernanda.

 

 

 

Adaptação da grade curricular para inclusão

 

Na busca por uma educação de qualidade e inclusiva, várias escolas de Curitiba tem adaptado seu currículo para receber crianças com as mais diversas demandas. Dados do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (SINEPE) mostram que nas escolas particulares da Cidade, de 2013 a 2017, houve um aumento de 2,9% nas inscrições de alunos com alguma necessidade especial, o que representa atualmente 4.276 estudantes. Já no sistema municipal, esse aumento foi maior: saindo dos 2,8% de 2013 para 4,1% em 2017, totalizando mais de 5.871 crianças incluídas.

 

Eliza Winter, orientadora Educacional da Escola Aldeia Betânia, em capacitação pedagógica da equipe docente do Centro de Educação e Inclusão Social Betânia (CEISB) afirma que inclusão vai muito além de um diagnóstico ou aparência física, é entender e trabalhar com as características e necessidades próprias de cada criança. Eliza ainda destaca que a parceria entre profissionais especializados, família e Escola é de extrema importância para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional da criança.

 

Joelma Hening é professora na rede municipal, mãe de Lucas Hening de 13 anos, que tem Síndrome de Down e é aluno inclusivo na escola regular Aldeia Betânia. Quando recebeu o diagnóstico de seu filho, ela se dedicou totalmente para cuidar do menino. Involuntariamente, ela acabou por protegê-lo muito. “Eu dava comida em sua boca e o ajudava em tudo que ele precisava. Na Escola Aldeia, porém foi diferente, aqui as educadoras ensinaram e deram autonomia a ele”, comemorou.

Ela lembra emocionada de uma situação em que uma educadora ligou para ela anunciando que seu filho estava comendo sozinho, coisa que nunca tinha feito até então. Ao saber disso, Joelma pode ver como os trabalhos na escola estavam ajudando o Lucas a se tornar independente. “Hoje meu filho sente falta de vir à escola e adora ter a companhia dos irmãos que também estudam aqui”, conta.

 

Um dos desafios que muitos pais relatam é: não ter a aceitação seja dos colegas de sala das crianças portadoras de alguma necessidade, ou mesmo dos outros pais. Joelma afirma que sentiu esse receio, mas encontrou na escola pessoas que foram boas e acolhedoras. “É bom ver o Lucas chegando em casa e contando dos seus amigos e professoras preferidas, sinto que ele está sendo de fato acolhido", conclui.

 

Joelma e sua família desde cedo estimularam as necessidades de Lucas, dessa forma puderam aprender a administrar situações delicadas. Em breve, Lucas irá para outro colégio e lá enfrentará novos desafios, mas tendo a confiança que em casa terá pessoas sempre dispostas a apoiá-lo.

 

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