50 anos dedicados a servir ao próximo

02/14/2018

 

 

Gabriele Kumm, completou em de janeiro de 2018, 71 anos e no início de fevereiro comemorou seus 50 anos de Diaconia. Para tal data fizemos uma biografia contando um pouco da rica história dessa mulher que atravessou o mundo para servir a Deus aqui no Brasil.

 

 

 

 

Irmã Gabriele e os 50 anos de Diaconia

 

“Eu nasci em 1947, dois anos após a Segunda Guerra Mundial, em uma pequena cidade da região da Alta Saxônia na Alemanha. Minha infância foi marcada pela pobreza, pela dificuldade e pelas consequências da guerra.

 

A Alemanha durante a minha infância, era dividida entre o lado Ocidental (capitalista) onde eu morava, e o lado Oriental (comunista) dominada pela União Soviética. Naqueles anos pós-guerra, sofríamos muito com a falta de alimentos, roupas, coisas básicas para a nossa sobrevivência. Me lembro de eu ainda menina nas filas à espera de comida, do leite em pó e de um queijo duro que era trazido pelas tropas norte-americanas. Faltava tudo e meus pais trabalhavam muito para conseguir garantir o sustento básico para minha família. No entanto, os outros familiares estavam em situação pior, pois foram isolados na região oriental do país e viviam sob o domínio da ditadura comunista que isolou aquela parte do país.

 

As marcas da guerra foram tão fortes para o povo alemão que nossos pais não falavam sobre ela, eles ficavam em silêncio sobre os horrores cometidos pelos nazistas, eu mesma não sentia orgulho de ser alemã. Na escola nos ensinavam a sermos críticos e a nunca concordar com injustiças cometidas pelos mais velhos, eu creio que levei isso para a minha vida pessoal e também para às missões”.

 

Conversão

 

“Minha família era, assim como a maioria dos alemães, cristãos luteranos apenas por tradição. Ao meu ver, porém eles não tiveram um encontro com Cristo. Eu inclusive não tinha nenhuma ligação com Deus, ia apenas duas vezes ao ano na igreja e para mim era ótimo. Eu era educada na ética do trabalho, onde você deveria trabalhar e assim, viver dignamente.

 

Depois dos 18 anos eu fui trabalhar em um hotel no norte da Alemanha. Lá, eu conheci uma hóspede que era verdadeiramente cristã e sua vida me impressionava de todas as maneiras. Ela vivia em paz, tinha uma alegria contagiante, tinha um jeito diferente de ser, mas principalmente ela demonstrava saber qual o sentido de sua vida. Para mim, aquela era a maior dúvida, não saber qual o sentido da minha vida.

 

Essa hóspede, orou por mim e passou a me discipular. Foi assim que aos poucos eu me converti e passei a frequentar um grupo de jovens cristãos. Fazíamos estudos bíblicos, orávamos e um dia estávamos estudando sobre o bom semeador e eu senti que, naquela hora eu havia encontrado um sentido para minha vida precisava urgentemente servir a Deus em sua obra“.

 

Vida missionária

 

“Convencer meus pais de que eu queria servir a Deus integralmente não foi fácil. Para eles era inaceitável a ideia, mas eu persisti e como era maior de idade eles não me proibiram. Fui para a Casa Matriz do Movimento das Diaconisas me preparar para o trabalho missionário. Fiz um curso de enfermagem e nesse período atendia comunidades, vilas e pequenas instituições por toda a região de Frankfurt onde fui instalada.

 

Aqueles foram anos maravilhosos, aprendi muito e pude crescer muito, tanto na área profissional como humana. Atender crianças e jovens era minha paixão e elas gostavam de mim.

 

Certo dia, fui informada que uma irmã diaconisa que realizava um trabalho muito importante no Brasil estava doente e precisava de ajuda. Eu pensei, e logo cheguei à conclusão que estava na hora de partir para um novo desafio. Nunca me imaginei saindo da Alemanha, mas algo me queimou no peito para me juntar as irmãs que atuavam no Brasil e eu simplesmente disse sim. Antes, porém, precisava informar minha família.

 

Por milagre, ao chegar em casa e começar a conversar com minha mãe, ela simplesmente disse ‘você está indo para fora do país fazer missões, certo?’, eu espantada disse que sim. E ela apenas concordou. Aquele momento foi maravilhoso, era um sinal de que Deus estava tocando na minha família e eles começavam a ver um valor no que fazia.

 

Fui para o Brasil em 1976 e já nos meus primeiros dias fui enviada ao Rio de Janeiro para aprender português. Eu e mais outras centenas de freiras e padres, todos estudando juntos. Era engraçado saber que eu era a única cristã protestante em meio a todos eles”.

 

 

Brasil

 

“Depois do treinamento no Rio para com o idioma local, fui enviada para o Paraná, inicialmente atendia comunidades alemãs e brasileiras instaladas. Hoje, algumas pessoas me perguntam quais foram as dificuldades que eu enfrentei aqui no país. Por incrível que pareça, não foram nenhuma, o que realmente me incomodava era a postura dos próprios alemães que aqui viviam.

 

Eram de forma geral arrogantes e achavam que tudo de origem germânica era melhor, se achavam melhor que os brasileiros e orgulhavam-se disso. Eu não era assim, vinha de outro contexto, em mim havia marcas da guerra e da ciência de que os alemães, assim como qualquer povo ou pessoas, poderiam fazer coisas horríveis em determinadas situações. Não havia ninguém melhor do que ninguém.

 

Quando fui enviada ao interior do Paraná, para um lugar onde não havia nada, absolutamente nada, eu fiquei muito feliz, pois ali eu pude lidar apenas com os brasileiros. Eu acho que ter crescido na pobreza e ter enfrentado várias dificuldades na vida fez eu ser muito mais empática com a realidade vivida pela maioria dos brasileiros. Sempre me entreguei de corpo e alma e construir boas amizades naquele período também”.

 

O nascimento da Irmandade Betânia

 

 

“Em 1986, fui convidada para me mudar novamente. Dessa vez, para Curitiba. Aqui eu faria um trabalho de visita, atendimento, capelania e daria suporte na Casa Matriz das irmãs localizado então no bairro Batel. Mais uma vez, me dispus e vim para essa cidade.

 

Inicialmente, fiquei na Casa Matriz exercendo meu trabalho, quando surgiu a oportunidade de apoiar as atividades no terreno que futuramente seriam a Irmandade Evangélica Betânia. Aqui várias pessoas, incluindo eu, construímos as unidades Escola Aldeia Betânia e a Pousada Betânia que inicialmente tinha outro propósito (casa das diaconisas e curso de moças). Eu posso dizer que tive o privilégio de ver todas as unidades e a própria Irmandade nascer. Foram bons momentos que exigiram coragem, muito trabalho e dedicação também.

 

O trabalho que fizemos aqui deu tão certo que logo vimos a possibilidade de expandir e nós fizemos. Construímos o Hotel Estância Betânia, também o Centro de Educação e Inclusão Social Betânia (CEISB), na Vila Zumbi em Colombo e nunca paramos.

 

Me lembro uma vez que minha mãe estava doente na Alemanha e para cuidar dela eu fui para sua casa. Chegando lá, ela me recebeu, mas passado algum tempo ela disse ‘você tem trabalho a realizar no Brasil, deve voltar para onde precisam mais de você, eu me cuido aqui’. Aquelas palavras me impressionaram, minha própria mãe que outrora fora contrária minha missão agora via valor e pedia que eu desse prioridade a isso do que a sua saúde. De fato, Deus havia mudado algo em seu coração”.

 

Mensagem final

 

“Eu, como disse anteriormente, sempre fui muito crítica e não me conformava em ver tantas injustiças tanto na Alemanha quanto aqui no Brasil. No entanto, algo que me incomoda muito na atitude dos brasileiros é sua passividade frente a tantos males que atingiu sua sociedade. O jeito que o Brasil está é uma vergonha, pois ele tem todo o potencial do mundo para estar em uma situação muito melhor.

 

Não me conformo com a tolerância do brasileiro com o intolerável. Incluo nessa crítica também os cristãos que vivem aqui, são mais de 25 milhões de crentes, mas que pouco tem feito pela mudança social da nação. São homens e mulheres que não têm ânimo para mudar o rumo da situação do país e isso precisa ser mudado, a base de oração, ação e coragem!”

 

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